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A inocência cura
Lia Beier
Atuar como profissional, esposa, dona de casa e mãe nem sempre é fácil. Muitas vezes, nos sentimos sobrecarregas ao tentar dividir o tempo entre o trabalho, cuidar da casa e do marido, fazer compras, educar os filhos e exercer outras tarefas. Foi o que aconteceu comigo logo que meus dois filhos nasceram.
Havia me formado em Letras e lecionava inglês e português para jovens e adultos. Mas, enquanto as crianças eram pequenas, resolvi trabalhar em casa, com traduções. Nessa época, fiz um curso de Christian Science para aprofundar meus conhecimentos dessa Ciência. Aprendi a orar, diariamente, aceitando somente o bem como realidade espiritual. As idéias desse curso e as orações diárias me ajudaram bastante na educação dos filhos.
Superei choques de opinião, quando compreendi que, como filhas Deus, as crianças são idéias espirituais, completas, independentes, expressam qualidades divinas.
Certa vez, quando estava vestindo nosso filho, que começava a falar, ele me perguntou porque eu sempre estava com pressa. Causou-me impacto ouvir algo tão profundo de uma criança tão pequena. Eu me sentia sobrecarregada com as diversas responsabilidades, mas meu filho me ensinou que eu precisava viver a vida com alegria, aproveitar cada momento e não correr de um lado para outro.
Lembro-me desse ensinamento até hoje. Por meio da oração, compreendi que a tranqüilidade e sabedoria que esse filho expressou é um dom que sempre fez parte de sua natureza espiritual e eterna. Como afirma Mary Baker Eddy: “O homem, por ser o reflexo de seu Criador, não está sujeito a nascimento, a crescimento, a maturidade e a decadência” (Ciência e Saúde, p. 305).
Em outra ocasião, toda a família estava fazendo um passeio em uma praia muito bonita, onde havia um morro de difícil acesso, que prometia uma vista deslumbrante. Minha família andava rapidamente e eu me esforçava para segui-la, me equilibrando sobre as pedras. Ao ver minha demora e indecisão, nossa filha, então com nove anos, se virou e disse com muito amor: “Vem, mãe, tu podes!”
Grata pela confiança que ela expressou, dei um passo firme e me lembrei de que “tudo posso naquele que me fortalece” (Filip. 4:13). Suas palavras de amor e inocência me ajudaram a prosseguir e pude apreciar, do alto do morro, a linda vista do mar.
Essa experiência me despertou para a conscientização da infinita capacidade espiritual que Deus dá a cada um e também me ajudou, anos depois, quando prestei exame vestibular para Direito, carreira que exerço até hoje.
Aprendi e continuo aprendendo muito com meus dois filhos. Ciência e Saúde define filhos como “pensamentos e representantes espirituais da Vida, da Verdade e do Amor” (p. 582). Para mim, essa definição esclarece que todos, independentemente de idade, crescemos harmoniosamente sob a orientação da Mente divina, Deus.
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